A Polícia Civil do Rio pediu esta semana a quebra de sigilo telefônico de oito policiais militares do 20º Batalhão de Mesquita --suspeitos de envolvimento no desaparecimento do menino Juan Moraes, 11.
Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça, o juiz do 4º Tribunal do Júri de Nova Iguaçu Márcio Alexandre Pacheco da Silva ainda analisa o pedido.
O grupo de PMs participou de uma ação na favela Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no dia 20 de junho, mesma data em que Juan desapareceu, após ter sido visto baleado no pescoço, conforme testemunhas relataram em depoimentos à polícia.
Na tarde de ontem (6), a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, disse que o corpo da criança foi achado há uma semana às margens de um rio em Nova Iguaçu e identificado inicialmente pela perícia como o de uma menina. Exames de DNA, porém, comprovaram que se tratava do menino. O IML (Instituto Médico Legal) ainda não concluiu o laudo que apontará de que forma ele foi morto. Testemunhas afirmaram à polícia que o menino levou um tiro no pescoço. Amanhã (8) será feita uma reconstituição do crime.
O perito legista Abrão Lincoln de Oliveira, presidente da Associação Fluminense de Medicina Legal, disse ter visto o corpo no IML, com fraturas no braço, na coxa e na perna esquerda. "Pareciam ter sido causadas por tiros."
A perita que identificou o corpo como o de uma garota será alvo de sindicância. Para a polícia, ela foi "precipitada" em suas conclusões.
Quando foi encontrado, o corpo de Juan já estava em estado avançado de decomposição por ter ficado exposto à água suja e a animais. Com isso, a identificação visual do sexo não foi possível.
Segundo o diretor da polícia Técnico-Científica, Sérgio Henriques, foi feita então a análise do esqueleto --as características do crânio, da arcada dentária e da bacia são diferentes em homens e mulheres. As distinções, porém, são mais claras em adultos.
Os quatro PMs que participaram da ação na favela foram desligados ontem do Batalhão de Mesquita e transferidos para o quartel central, no centro do Rio.
Eles não estão presos, mas com a transferência deixam de receber uma gratificação de cerca de R$ 400.
O comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, disse que, se ficar comprovada a culpa dos policiais, eles serão expulsos da corporação.
Martha Rocha afirmou também que o delegado da 56ª DP foi afastado. A unidade era responsável pelas investigações antes de o caso migrar para a Delegacia de Homicídios.
O deputado Marcelo Freixo (PSOL), da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, disse que o fato de o corpo ter sido achado em uma localidade próxima ao batalhão reforça a tese de envolvimento policial.
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